sábado, 11 de setembro de 2010

Quando não dá, não dá...

Hoje veio ao meu consultório um lindo menino de três anos acompanhado pelos pais. Seu sorriso estava igual ao dessa menininha fofa da foto acima. Eles já tinham ido a um consultório de odontopediatria para fazer a restauração duas vezes sem sucesso. O baixinho continuava a fraturar a restauração. Seria eu o salvador desse sorriso "feio"? Claro que não!
Expliquei para os pais que uma restauração classe IV num dente decíduo dificilmente permanece por muito tempo devido as seguintes razões:
  1. Para a confecção da restauração preciso de um dente seco e colocar isolamento absoluto ou parcial numa criança é quase impossível;
  2. Preciso que ela fique imóvel e uma criança nessa idade fica imóvel somente por "5 segundos", o que é muito pouco tempo para a confecção da restauração;
  3. Nessa idade a criança está na chamada Fase Oral e tudo que pega coloca na boca para identificar. Adora morder tudo que está ao seu redor. A restauração não suporta...
  4. A estrutura do esmalte do dente decíduo é diferente do dente permanente. Por isso, o mecanismo de adesão da resina com a estrutura dentária é muito frágil, provocando descolamento da restauração com um mínimo de carga incidindo sobre ela.
Expliquei para os pais e eles estavam inconsoláveis, principalmente a mãe. Falei que o insucesso do colega seria o meu também. Nessa idade a gente não restaura o dente, somente dá um polimento nas bordas cortantes. Fazemos a proservação e restauramos mais tarde. 
A mãe insistia em restaurar. Disse pacientemente que realizar aquele procedimento era mais um capricho dos pais do que uma necessidade da criança. Fazer a restauração só iria deixar a criança irritada, até mesmo traumatizada, e gastar o dinheiro dos pais. A durabilidade seria pequena. 
Deixei claro que a minha intenção não era ganhar dinheiro, mas promover saúde. E uma visão positiva da criança em relação ao dentista é fundamental para uma dentição saudável.
Gastei cerca de 40 minutos da minha hora clínica e não ganhei nenhum centavo por isso. Todavia, ganhei credibilidade daquele casal para tratamentos futuros. Também evitei o desgaste de fazer um procedimento que não duraria muito tempo e só traria estresse para a criança, para os pais e para mim.
Quando não dá, não dá!

2 comentários:

  1. Gostaria de saber qual é o procedimento para os pais numa situação dessas, tem que se tomar algum cuidado ou somente esperar uma nova dentição?

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  2. Olá! Uma consulta de avaliação é fundamental. Depois é só fazer o acompanhamento e evitar que a criança se acidente novamente...

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