quarta-feira, 7 de julho de 2010

As vezes o que você propõe não é o que o seu paciente quer...

Esse é um grande problema que os dentistas passam quando vão fazer um orçamento. Afinal de contas o que o paciente quer? Quando o procedimento é óbvio (p.ex. tratamento endodôntico para resolver uma pulpite) é fácil fazer o orçamento. Porém, quando o tratamento é estético, uma reabilitação extensa ou simplesmente uma troca de próteses totais, o paciente quer fazer o que você está propondo ou não? Na minha experiência clínica tenho visto um desacordo entre o que o paciente quer e o que o paciente deseja realmente. Quando não se consegue captar o que o paciente realmente quer, podemos estar fadados ao fracasso, ter aborrecimento e prejuízo financeiro. Há um tempo atrás uma mãe de uma paciente me procurou para trocar suas próteses totais. Ao examinar verifiquei que as próteses que ela usava estavam em boas condições, porém com pouca retenção. Então atendi ao pedido da paciente e confeccionei novas próteses que ela detestou na primeira e na segunda tentativas. Falou que está decepcionada comigo e terei que devolver o dinheiro pago por ela. Culpa dela? Em parte por ser uma pessoa impaciente e querer um resultado além do que um tratamento com próteses totais pode proporcionar, mas a culpa maior é minha, pois não consegui "enxergar" a real necessidade dela que era um simples reembasamento. Ontem me procurou outra cliente querendo tratar de um premolar com a cúspide palatina fraturada. Falei que era necessário tratamento endodôntico, núcleo e coroa total. Ela achou um absurdo fazer tudo aquilo num dente, achava que uma restauração iria resolver o problema, mas que confiava na minha recomendação. Em outras palavras: Não sabia o que queria. Qual foi minha opção? A restauração é claro! Falei da limitação do tratamento e se a restauração fraturasse faríamos o tratamento completo. No novo orçamento iria dar o desconto dos honorários da restauração feita. Ela aceitou a proposta, fiz a restauração e a paciente foi embora feliz!
Às vezes é melhor ganhar pouco sem perturbação do que ganhar muito e ter dor de cabeça...
Procure ter certeza do que seu paciente quer. De que forma?
  1. Explique o tratamento proposto quantas vezes forem necessárias.
  2. Utilizem de fotos, livros e filmes sobre o tratamento (YouTube e OdontoTube tem vários).
  3. Fale do tempo e das dificuldades do tratamento.
  4. Pergunte se ela está disposta a se submeter e cooperar com o tratamento.
  5. Pergunte se entendeu e se tem alguma dúvida.
  6. Faça um contrato e peça para ela assinar o compromisso.
Dessa forma estaremos salvaguardando tanto os nossos interesses quanto os de nossos pacientes. Quando tudo está explicado é menos provável que ocorram desavenças. 

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