sexta-feira, 5 de março de 2010



Dentista às vezes dá uma de psicólogo, conselheiro ou simplesmente ouvinte. Penso que depois dos sacerdotes o profissional que mais ouve confissões é o dentista.
Ontem recebi um cliente para tratamento de urgência. Rapaz gente boa. Estava fazendo tratamento comigo, quando se ausentou repentinamente. Passado algum tempo sua namorada ligou dizendo que havia sido preso injustamente, e aquele dente que estava iniciando tratamento endodôntico (canal) voltou a doer. Queria que fosse vê-lo na prisão. Infelizmente, informei que não dispunha de equipamentos para realizar aquele tipo de atendimento. Receitei um remédio e não tivemos mais contato. Ontem ele veio ao consultório apresentando outro dente com pulpite. Enquanto estávamos esperando o efeito da anestesia local, ele me contou o que realmente ocorreu no episódio de sua prisão.
Ficamos conversando durante uma hora e ele contou toda sua trajetória de crimes. É uma longa história. Mas o fato que me deixou impressionado foi sua espontaneidade em relatar tudo o que fez. Estava arrependido, mas confessou tudo. Diante deste fato inusitado mantive o silêncio. Ele não queria conselhos, queria quem o ouvisse.
Em maior ou menor intensidade, vivemos situações como essa no dia a dia de um consultório. O cliente se deita na cadeira, relaxa e quer desabafar suas aflições. Cabe a nós ouvir, simplesmente ouvir. Isso já ajuda muito!

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