terça-feira, 16 de março de 2010

Imbecil Cavalar Odontológico


 Os imbecis cavalares sempre existiram. A Bíblia relata no livro de Gênesis que os primeiros imbecis cavalares que pisaram na face da terra, foram Adão e Eva. Foram imbecis cavalares porque rejeitaram o paraíso e a companhia de Deus, ouvindo os conselhos da serpente que não tinha nenhum papel relevante naquele contexto de perfeição. Aliás, a “Lei de Gérson” já imperava naquela época, pois esta é a lei dos imbecis cavalares: Levar vantagem em tudo!
Como uma praga os imbecis cavalares se infiltraram em todos os segmentos da sociedade. Se falar sobre todas as suas manifestações não seria um post, seria um tratado. Portanto, vamos nos ater aos imbecis cavalares odontológicos. Essa subclasse de imbecis cavalares se manifesta em todas as áreas da odontologia: Começa na faculdade e acaba no consultório. Vou me restringir ainda mais na figura do imbecil cavalar dentista, pois existem imbecis cavalares protéticos, propagandistas, vendedores de dental, atendentes e assim por diante.
O imbecil cavalar dentista começa a se manifestar na faculdade. Primeiramente ele escolhe estudar numa faculdade particular porque é mais fácil passar. Não que todos os alunos de faculdades particulares sejam imbecis cavalares. Alguns escolhem uma faculdade particular pela proximidade de casa, pelo currículo, pela estrutura, pelo ensino. Não estou me referindo a este tipo de estudante. O imbecil cavalar passou todo o ensino fundamental e médio na flauta. Só estudava (quando estudava) para passar de ano. Quando não dava pedia uma “força” aos professores para ser passado. Quando se vê diante de um vestibular disputadíssimo para uma universidade pública coloca a Lei de Gérson em prática. Vai para uma faculdade particular porque é mais fácil, mais cômodo.
Aí entra o imbecil cavalar acadêmico na faculdade. Todo feliz. Faz compras e mais compras de roupas brancas. Quer ir com uma roupa nova todos os dias. O imbecil cavalar vê a faculdade como uma passarela de moda. Quer ver e ser visto. Estudar? “Ah! É, tem que ser né...” resmunga lamentando...
A lista de material tem que ser comprada logo, diz o imbecil cavalar para impressionar os pais. Nem sabe o que é e quanto custa, mas tem que ter tudo. Aliás, o imbecil cavalar adora impressionar. Faz tudo pra impressionar, a fim de esconder sua própria incompetência.
Assistir aulas? Que aulas? Vai para a sala de aula, mas sua mente está longe. Pensa em tudo menos no que está sendo ministrado pelo professor. Como o ócio é uma prática comum dos imbecis cavalares e o ócio cansa, logo vem à vontade de sair de sala, de ir ao banheiro, de telefonar, de fazer qualquer coisa, mas tem que sair de sala, pois está entediado.
Aí o imbecil cavalar acadêmico vai para o pátio da faculdade. Lá é seu habitat natural. Lá é sua passarela. Lá é onde vê e é visto. E fica por lá mesmo até a aula acabar...
O imbecil cavalar não estuda, não faz trabalho, mas adora tirar cópias das aulas dos colegas, pede para que seu nome figure na relação dos que fizeram uma pesquisa. Usam as ferramentas do Windows “selecionar tudo”, “copiar”, “recortar” e “colar” com maestria.
Tal qual no ensino fundamental e médio, o imbecil cavalar continua agindo como um parasita no ensino superior. Recebe ajuda de todos, até porque todos querem se livrar dele, conscientemente ou não.
Finalmente, o imbecil cavalar acadêmico se forma e passa a ser um imbecil cavalar dentista! Os imbecis cavalares dentistas recém formados se caracterizam pelo repentino gosto pelos estudos: Quer fazer uma especialização, outra faculdade, qualquer coisa, mas querem continuar a estudar. Isto esconde um desejo oculto do imbecil cavalar, que é o de continuar com o status de estudante. Pois, ser estudante só lhe confere direitos e não deveres! “- Não posso trabalhar porque tenho que estudar”. “- Não posso fazer isso ou aquilo porque tenho que ter tempo para estudar”. “- Preciso de dinheiro e condições várias para poder estudar”. E os pais vão financiando tudo. São também imbecis cavalares, pois estão criando uma ameba.
Quando “estudam” tudo o que podem, os imbecis cavalares dentistas se ramificam por sexo. A imbecil cavalar dentista fêmea procura casar-se com um cara bem de situação e usa o consultório como hobby. Mas, na verdade, é uma dona de casa com curso superior. Já o imbecil cavalar macho vai continuar vivendo da mesada dos pais (complemento de renda, diz ele), trabalha numa clínica popular ou voltar a estudar pra fazer concurso de fiscal de renda (dá mais dinheiro e é seguro, diz a figura).
Mas nem tudo é mar de rosas na vida dos imbecis cavalares. Um dia a casa cai, já dizia o ditado. E cai também para os imbecis cavalares. Um dia esgota-se a fonte de renda paterna e os imbecis cavalares passam a ter uma dieta regada a sapos. Fica engolindo sapos o tempo todo, pois não há alternativa. O marido joga na cara de que ela é uma profissional incompetente, pois estudou tanto e não ganha nem para manter o consultório aberto. O imbecil cavalar ganha 25% de comissão sobre uma extração que custa dez reais numa clínica popular e tem que trabalhar cerca de 12 horas por dia para fazer um salário de dois mil reais como dentista sócio. Oba! O imbecil cavalar progrediu? Claro que não! Ele é obrigado a se tornar sócio minoritário da clínica (dono de 0,5%) ou tirar um alvará para trabalhar lá. Dessa forma o dono da clínica tem o imbecil cavalar como escravo, digo, empregado sem pagar nenhuma garantia trabalhista, férias ou décimo terceiro salário. E toma a engolir sapos, pois os imbecis cavalares não têm alternativas senão depender da boa vontade alheia. E como nem todo mundo é igual ao papai e a mamãe, eles estão fodidos!
Triste fim dos imbecis cavalares...

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