terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Tô chateado...

Tô chateado...
Além de dentista, sou professor universitário. Leciono numa pequena faculdade de odontologia particular a disciplina de materiais dentários. Lá está havendo uma crise a alguns meses de falta de alunos. Isto é o reflexo do grande número de faculdades de odontologia abertas no Rio de Janeiro. Essa falta de alunos gerou outro problema que é da baixa capacidade de grande parte dos alunos que estudam lá. Para ser aluno do curso basta ter condições de pagar a mensalidade. Ter conhecimento é dispensável. Por essa razão as turmas formadas são de pessoas completamente despreparadas para cursar odontologia. Logo, como fica avaliação desses alunos? É aí que entra minha chateação... No período passado ministrei as aulas com bastante profundidade e conteúdo, mas o aproveitamento foi péssimo. Desinteresse mesclado com falta de capacidade mesmo, fez com que numa turma de 22 alunos apenas 9 conseguissem aprovação. Para minha surpresa o coordenador do curso ligou para mim ontem informando que alguns pais fizeram queixa à direção, acusando-me de falar intimidades sexuais em sala de aula. Segundo esses pais isto causou mal estar aos alunos, o que dificultou o aprendizado deles. O que mais me deixa estarrecido não é essa desculpa forjada por alunos inescrupulosos para justificar seus insucessos acadêmicos (de aluno você espera tudo), mas os pais acreditarem numa sandice dessas e a direção dar ouvidos e me chamar à atenção, inclusive me ameaçando de ficar de licença não remunerada neste período para “as coisas esfriarem”, segundo palavras do coordenador do curso...
Leciono porque gosto. É uma realização pessoal. Nessa faculdade ganho cerca de R$ 450,00 por mês. Gasto quase tudo nas despesas de deslocamento até lá (fica bem afastada do centro de Niterói). O único retorno que tenho é o de usar a figura do professor como marketing pessoal. Deixo de estar na quarta feira no consultório, e, por, isso, deixo de atender clientes. E, por isso, deixo de ganhar dinheiro que certamente é maior do que indo para a faculdade me desgastar para uma parcela considerável de pessoas que não tem nenhum compromisso com a odontologia. Mas vida de professor é assim mesmo. Se puder voltar a lecionar novamente vou esquecer esse incidente e vou “tirar o couro” dos alunos, porque na minha disciplina para passar tem que saber. Se a basbaquice continuar vou pedir para ser demitido e dedicar mais um dia ao meu consultório. Infelizmente, terei que deixar de lado uma atividade que me dá prazer, mas a minha paz de espírito e a alegria e o divertimento de fazer algo que gosto é inegociável!

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