quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Dentista Hermafrodita


Alguém já disse que o dentista é uma ilha. Dizia para meus alunos que o sonho do dentista é ser hermafrodita, pois não necessitaria do sexo oposto para procriar, tal é o seu grau de individualidade. Não sei o porquê da origem dessa individualidade. Contudo, vejo com maus olhos esse comportamento. Há a necessidade de entrosamento, de compartilhar idéias e problemas no dia a dia de trabalho. E não é isso que acontece. O que vemos são dentistas entrando em seus consultórios, trabalhando, almoçando sozinhos e nenhum tipo de diálogo com seu colega ao lado. Aliás, ele nem sabe quem são seus colegas dentistas. Com a concorrência não se fala, pensa ele. E os congressos? Apesar de adorá-los, fico pesaroso quando me encontro com colegas na praça de alimentação. Em sua maioria só contam vantagens com o fim de impressionar. São diálogos vazios que levam os dentistas a se distanciarem mais. É por isso que a classe odontológica não tem uma remuneração decente nos convênios, os órgãos de classe fazem o que querem sem uma oposição efetiva e as indústrias odontológicas usam a imagem dos dentistas para dar credibilidade a seus produtos e nós não ganhamos um centavo com isso.
Em meu consultório procuro ter um relacionamento amistoso com todos ao meu redor. Meu secretário faz um delicioso café e todos são convidados a provar dele. Dentistas, fisioterapeutas, administradores, médicos, todos aparecem lá para beber um cafezinho e conversar. Isso deixa o ambiente mais leve e abre caminho para sociedades, troca de conhecimentos e estreitamento de laços de amizade. Somos seres sociais. Ficar sozinho só levará a depressão.

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